
Para se ter uma ideia
da herança que o presidente Barack Obama está prestes a deixar no setor energético
dos EUA, basta olhar para a geladeira.
Sério, literalmente.
Desde 2009, o governo dele criou 43 normas que vão economizar mais energia do que qualquer outro presidente desse
país, eliminando em 2030 uma demanda equivalente à eletricidade produzida por
96 usinas, com base nas estimativas de um grupo de consumo.
E, entre as mais
efetivas, uma dessas normas faz com que a geladeira de uma casa gaste menos
energia do que uma lâmpada de 50 watts.
Outra norma finalizada
no mês passado reduzirá a energia utilizada por aparelhos comerciais de teto de
ar-condicionado e caldeiras, uma iniciativa que, segundo projeções do governo
americano, economizará 1,7 trilhão quilowatts-hora de eletricidade ao longo de
30 anos, mais que qualquer outra alteração das normas desde que as leis de
eficiência foram promulgadas em 1975.
Os defensores dizem que
essas mudanças reduzirão as contas de luz.
Os oponentes advertem
que o custo dos eletrodomésticos aumentará, porque os fabricantes investirão
dezenas de milhões para recriar esses produtos.
“É um enorme avanço
para a eficiência energética e também um acontecimento significativo para
endireitar um importante programa de economia de energia que antes não cumpria
seu propósito”, disse Andrew deLaski, diretor-executivo da Appliance Standards
Awareness Project, com sede em Boston, em uma entrevista por telefone.
Passar dos limites
O governo de Obama
passa dos limites, dizem os opositores. Uma norma proposta em 2014 para os
lava-louças limita tanto o consumo de água que as máquinas não conseguem
remover os alimentos dos pratos e utensílios, de acordo com a Associação de
Fabricantes de Aparelhos Eletrodomésticos, uma organização do setor.
O projeto de norma, que
poderia ser adotado em agosto, é consequência da incapacidade do Departamento
de Energia dos EUA para escutar as considerações dos fabricantes e testar
adequadamente os produtos, disse o grupo com sede em Washington.
Republicanos no
Congresso contestaram vários dos planos para economizar energia defendidos por
Obama. Mike Pompeo, um republicano do Kansas, disse que o prêmio que os
consumidores pagam por muitos dos produtos remodelados no intuito de cumprir os
padrões mais elevados é maior do que a economia de energia. Ele defende leis
que suspendem a vigência das normas por 18 meses.
Kathleen Hogan,
vice-secretária assistente de eficiência energética do Departamento de Energia,
defende que a iniciativa de Obama é uma bênção para os consumidores.
“Um dos principais
compromissos era atualizar de fato o programa de normas para os
eletrodomésticos”, disse Hogan, em entrevista por telefone. “Há um enorme
impacto em termos de gerar economia para as pessoas e de reduzir nossa
necessidade de energia”.
Poucos aparelhos que
consomem energia escaparam das mudanças nas normas. Elas cobrem de tudo, desde
lavadoras e secadoras de roupas às máquinas automáticas de venda, passando
pelos ventiladores de teto com lâmpada. O presidente prometeu analisar mais 17
normas, que poderiam ser submetidas à revisão, antes do fim do mandato.
O Departamento de
Energia estimou que as reduções vão gerar uma economia de mais de US$ 520
bilhões na conta de luz dos consumidores até 2030.
Liderança
A campanha de Obama em
prol da eficiência é parte de seu posicionamento como líder mundial na
iniciativa para reduzir os gases do efeito estufa, e o presidente reafirmou a
promessa de diminuir as emissões de carbono por meio da eficiência energética
em um pacto com a China em setembro.
Todas as normas
atualizadas durante a presidência de Obama poderiam cortar 3 bilhões de
toneladas de dióxido de carbono por volta de 2030, o equivalente a cerca de
metade da poluição de carbono de todo o setor energético dos EUA em um ano, de
acordo com o Departamento de Energia.
Em 2016, as reduções de
energia poderiam chegar a cerca de 130 quilowatts-hora e gerar uma economia de
aproximadamente US$ 14 bilhões para os consumidores, de acordo com deLaski, da
Appliance Standards Awareness Project.
“Quando é possível
levar adiante uma política que ao mesmo tempo faz com que as pessoas economizem
dinheiro, fomenta a inovação, economiza um monte de energia e rende reduções
das emissões ambientais, não há o que discutir”, disse ele.
Fonte: Exame
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