A empresa japonesa que revolucionou a indústria
automobilística ao inventar a direção hidráulica elétrica agora está na
contramão da mais recente inovação da tecnologia: os carros sem motorista.
A inovação da Jtekt Corp. há quase três décadas superou a
tradicional tecnologia hidráulica e possibilitou que a empresa se tornasse uma
das maiores fornecedoras da Toyota Motor Corp. e de outras fabricantes de
automóveis.
A empresa já produziu mais de 100 milhões de unidades e
arrebata um quarto do mercado global.
Tetsuo Agata, presidente da empresa com sede em Osaka, teme
que, se sua empresa não criar um produto para carros sem volante, ela poderia
acabar sem nenhum cliente.
“Vamos perder a base do nosso negócio”, disse Agata, 62, em
uma entrevista na cidade de Nagoya. “Vamos fechar se não conseguirmos recuperar
terreno. Estou sentindo que vamos passar por uma forte crise”.
A direção é um dos elos na grande cadeia de fornecimento de
autopeças que está precisando se adaptar para sobreviver às novas tecnologias e
às empresas que estão mudando a cara da indústria automobilística.
Fabricantes tradicionais, como Toyota e Nissan Motor Co.,
agora competem com recém-chegados, como Tesla Motors Inc., Google Inc. e Uber
Technologies Inc. Toyota e Nissan estão correndo para desenvolver carros com
capacidade de direção automática limitada em estradas já no próximo ano; Google
e Uber estão competindo para colocar carros sem motorista em vias públicas.
“Vários fornecedores de peças serão afetados pela mudança
para a condução autônoma”, disse Goro Tanamachi, analista da IHS Automotive.
Assim como a direção, também freios, transmissões e outras peças de tração
poderiam ser completamente modificados, disse.
Novo padrão
Agata acha que os sistemas steer-by-wire, em que o software
transmite sinais para motores elétricos que movem as rodas, serão a norma e, se
a Jtekt não estiver na vanguarda desse desenvolvimento de software, poderia
ficar para trás.
“O que não podemos perder é o software de controle” para
sistemas de direção, ele disse. “Se perdermos nesse campo, não conseguiremos
continuar”.
Para isso, ele está enviando pesquisadores a universidades e
laboratórios para que eles atualizem seus conhecimentos e está pensando na
aquisição de empresas com tecnologia especializada, afirmou Agata.
Ele quer triplicar sua equipe de pesquisa externa, dos menos
de 10 agora para até 30, ao mesmo tempo em que aumenta os gastos de capital em
cerca de 17 por cento, para 80 bilhões de ienes (US$ 660 milhões) no ano fiscal
de 2016.
Se o fornecedor japonês não conseguir se manter, ele poderia
sofrer o mesmo destino que acometeu seus concorrentes há quase 30 anos.
Fonte: Exame.

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