Urna eletrônica brasileira é um
computador responsável pelo armazenamento de votos durante as eleições. O
dispositivo começou a ser implementado no Brasil em 1996, mas não se tornou
popular no resto do mundo por abrir diversas possibilidades de fraude.
Em
1985, houve a implantação de um cadastro eleitoral informatizado pelo TSE,
enquanto a urna eletrônica como se concebe hoje só foi desenvolvida em 1995, e
utilizada pela primeira vez nas eleições municipais do ano seguinte. Porém foi
em 1989, na cidade de Brusque, Santa Catarina, onde o juiz Carlos Prudêncio
realizou a primeira experiência de votação com micro-computadores.
A
urna eletrônica, inicialmente chamada de "coletor eletrônico de voto"
(CEV), teve como objetivo identificar as alternativas para a automação do
processo de votação e definir as medidas necessárias à sua implementação, a
partir das eleições de 1996, em mais de cinqüenta municípios brasileiros. Na
ocasião somente municípios com um determinado número de eleitores teria votação
eletrônica. A única exceção a esta regra era justamente Brusque, que já havia
tido eleições digitais anteriormente.
Grupos
de engenheiros e pesquisadores ligados ao Comando-Geral de Tecnologia
Aeroespacial (CTA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) foram
os responsáveis pelo projeto da eleição informatizada em grande escala no País.
Destacam-se aí o trabalho dos engenheiros Mauro Hashioka (INPE), Paulo Nakaya
(INPE), Oswaldo Catsumi (CTA), Miguel Adrian Carretero (INPE), dentre outros
profissionais, pela concepção da segurança do equipamento.
A
urna eletrônica que automatizou 100% das eleições, no Brasil, foi desenvolvida,
por uma empresa brasileira, a OMNITECH Serviços em Tecnologia e Marketing,
entre 1995 e 1996, e aperfeiçoada, em 1997, para o modelo que se tornou o
padrão brasileiro, até hoje. O TSE já comprou mais de 500.000 urnas, através de
6 licitações públicas, de 1996 a 2006, de duas empresas americanas de
integração de sistemas, a Unisys Brasil, em 96 e 2002, e a Diebold Procomp, em 1998,
2000, 2004 e 2006. Toda a fabricação da urna eletrônica foi realizada, por
empresas de fabricação sob encomenda, a TDA Indústria, a Samurai Indústria, a
Flextronics Brasil e a FIC Brasil, subcontratadas, pelas integradoras.
Em 1995, o TSE formou uma comissão
técnica liderada por pesquisadores do INPE e do CTA que definiu uma
especificação de requisitos funcionais, para a primeira urna eletrônica,
chamada então de coletor eletrônico de votos – CEV.
Memória:
dois cartões de memória flash um interno e outro externo, com os dados
idênticos, onde está gravado o sistema operacional, os programas aplicativos,
os dados sobre os candidatos e onde os votos vão sendo gravados através de
mecanismos de segurança e redundância de forma a tentar dificultar desvio de
votos e a quebra do seu sigilo.
Pen-drive: para gravar o resultado
ao final da votação.
Módulo impressor: utilizado antes
do início da votação para a impressão da "zerésima" e ao final da
votação para a impressão do "boletim de urna".
Terminal do mesário ou
microterminal: um pequeno teclado numérico com leitor biométrico de impressão
digital do eleitor, através do qual o mesário autoriza o eleitor a votar pela
digitação do número do título do eleitor.
Terminal do eleitor: composto de
uma tela LCD e um teclado numérico através do qual o eleitor faz sua escolha,
possui ainda as teclas BRANCO, CORRIGE e CONFIRMA.
Alguns
especialistas em informática ainda insistem que as urnas eletrônicas em geral
são veículo fácil de fraudes de difícil descoberta. Em 5 de outubro de 2006 o
grupo neerlandês Wij vertrouwen stemcomputers niet (em português, literalmente: "Não
acreditamos em urnas eletrônicas") e a associação alemã de hackers Chaos
Computer Club demonstraram na televisão neerlandesa a manipulação de urnas
eletrônicas do tipo ES3B da empresa Nedap, usadas em 90% das eleições nos
Países Baixos além de serem empregadas na Alemanha, França e Estados Unidos. Em
consequência dos resultados do relatório de uma Comissão Parlamentar de
Inquérito, o Governo dos Países Baixos decidiu no final de setembro de 2007 não
prolongar o licenciamento de urnas eletrônicas da empresa Nedap para fins
eleitorais.
Em 2006 a invenção da urna
eletrônica foi escolhida como um dos 40 fatos ligados à software e hardware que
mudaram rumos nos últimos 40 anos pela "SUCESU 40 ANOS", promovido
pela SUCESU - Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações - por
ter tornado as eleições "mais ágeis, rápidas" e a apuração
"transparente e segura".

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