
Pesquisadores da Universidade Federal de São
Carlos (UFSCar) e do Instituto Biológico de São Paulo, da Agência Paulista de Tecnologia dos
Agronegócios (Apta), estão desenvolvendo, com apoio da FAPESP, uma nova geração
de inseticidas biológicos para controle de pragas.
Trata-se de uma tecnologia que envolve o
encapsulamento de conídios de fungos entomopatogênicos, que parasitam insetos e
podem matá-los ou incapacitá-los, mas não produzem patogenicidade aos seres
humanos.
Os fungos aderem ao corpo do inseto por meio de
esporos de dimensões microscópicas que, sob condições adequadas de temperatura
e umidade, germinam, penetram, desenvolvem hifas e colonizam o interior do
organismo.
O processo de encapsulamento proposto pelos
pesquisadores se dá por meio do uso de um biopolímero, que é um polímero
produzido por organismos vivos, a exemplo das proteínas, dos polissacarídeos e
dos ácidos nucleicos.
A ideia é conferir proteção e estabilidade no
armazenamento dos conídios, garantindo sua ação prolongada sobre diversos
insetos-pragas de cultivos agrícolas.
“A formulação possibilitou que o produto
fique armazenado sem refrigeração por até 12 meses e se mostrou patogênica a
diversas pragas, como a broca e o bicudo da cana-de-açúcar”, disse Inajá
Marchizeli Wenzel Rodrigues, responsável pela pesquisa Estudos para
identificação de biopolímeros, de baixo custo, compatíveis com microrganismos
para uso em formulações encapsuladas de entomopatógenos e compatibilidade de
adjuvantes para uso em formulações, realizada com apoio do Programa FAPESP
Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).
O encapsulamento funciona como uma barreira de
proteção aos conídios contra fatores externos, como radiação ultravioleta,
temperatura, microrganismos concorrentes e oxidação, entre outros.
A ideia surgiu quando os pesquisadores
identificaram a ausência de uma formulação de entomopatógenos no mercado,
sugerindo uma inovação com impacto no setor agroindustrial de bioinseticidas em
alternativa ao uso de agroquímicos.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), em 2010 a América Latina participava com 22% do consumo na
divisão do mercado de agroquímicos mundial, sendo o Brasil detentor de 19%
dessa participação no mundo.
Estudos realizados entre o 2° semestre de 2010
e o 1° de 2011 revelaram que o país produziu 96 mil toneladas de agroquímicos.
De acordo com os pesquisadores, os produtos do
mesmo segmento atualmente em comercialização não são formulados e utilizam os
fungos in natura, sem o revestimento por uma camada de polímero, o que
aumentaria sua viabilidade comercial sem comprometer sua virulência e seu poder
de controle.
Outro diferencial da inovação em relação aos
inseticidas biológicos convencionais é o ganho de estabilidade com um período
de armazenamento superior a um ano em temperatura ambiente, importante para a
produção, o estoque, a distribuição e o uso desse tipo de produto, permitindo
ao agricultor efetuar a pulverização a qualquer momento, independente das
condições climáticas.
Dessa forma, entre as vantagens da tecnologia
estão a melhoria na eficiência da aplicação de fungos entomopatogênicos, a
proteção dos conídios de efeitos deletérios abióticos e bióticos, o fato de ser
patogênico aos insetos-alvo e a possibilidade de armazenamento sem a
necessidade de consumo de energia.
Para estar disponível no mercado, a próxima
etapa será a colocação do produto em escalonamento comercial.
Os pesquisadores estimam estudos sobre as
técnicas agrícolas mais adequadas para aplicação em campo, bem como a
verificação da ação sobre um maior número de pragas e culturas.
A expectativa é que a invenção atraia o
interesse de indústrias do agronegócio, principalmente as que produzem e
comercializam inseticidas biológicos e sintéticos.
Além de Inajá Marchizeli Wenzel Rodrigues,
participam das pesquisas Moacir Rossi Forim, João Batista Fernandes e Maria
Fátima das Graças Fernandes da Silva, do Centro de Ciências Exatas e de
Tecnologia (CCET) da UFSCar, e Antonio Batista Filho, do Instituto Biológico.
Fonte:
Exame.
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